Flat-Life ( 2004 )

Certa vez, Vinícius de Moraes escreveu: "O sofrimento é o intervalo entre duas felicidades..." e esta Quarta que deve seguir apinhada de todos os nossos afazeres peguei-me rindo abobalhado na madrugada por essa animação com uma composição convidativa as adaptações teatrais.

Este curta belga, fruto do trabalho de graduação de Jonas Geirnaert na KASK (Koninklijke Academie voor Schone Kunsten) - algo como Academia Real de Finas Artes - também na Bélgica e uma das mais antigas instituições de ensino superior com data que remonta 1771.

Diga-se de passagem um curta com um tom bem diferente do seu anterior The All-American Alphabet(2002) - uma crítica direta as eleições norte-americana contra a eleição de Bush; Naturalmente uma posição esperada de um dos membros de uma organização extrema-esquerda marxista chamada "Partido dos Trabalhadores da Bélgica". E o que isso tem haver com a obra? Explicarei mais abaixo.

Flat-Life, animação de onze minutos, bem agitada e cômica de quatro apartamentos conjugados que "brigam" por uma existência plena e cheia dos seus trajeitosos moradores. Dividindo mais do que as paredes eles parecem não compreender a extensão da influência da sua vida na do outro.

A composição do cenário, as cores chapadas, os traços, as simplificações que me fazem lembrar os textos dos folhetins - referências essas que não descarto no datilografar dos diálogos, crônicas e as prosas também de uma Clarice Linspector sobre o dia-a-dia do homem comum. Um paradoxo do caos sintético que compartilhamos nos entulhados arranha-céus. A animação apesar de 2D ainda consegue brincar com o eixo z dando mais uma camada de interação com o universo a sua volta.

Acredito que esse olhar próximo do homem comum tenha sido influências de suas inclinações políticas e o desromantizar sem perder o brilho. E claro, os exageros e os artefatos bizarros da narrativa.

Em maio de 2004 ganhou o prêmio do Juri do Curta-Metragem no Festival de Filmes em Cannes. Uma curiosidade é que a cópia enviada possuía apenas os primeiros cinco minutos sonorizados - devido ao tempo de submissão e a obra ainda não estava concluso. Pouco depois, em 2005, Jonas veio a trabalhar em programas nacionais de comédia como Neveneffecten, com Lieven Scheire, Koen De Poorter e Jelle De Beulle; O mesmo grupo também responsável pelo BASTA uma crítica-show sobre as produções televisivas enfadonhas e posturas polêmicas das emissoras.

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FLAT-LIFE por Jonas Geirnaert

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